Gostaria de ter começado falando de mim, das recordações etc e tal. Mas, depois do que ouvi ontem numa matéria sobre violência e evasão escolar no Jornal Nacional, optei pela minha indignação enquanto professor e educador, há muito tempo nessa estrada chamada educação.
Quem me conhece sabe o quanto batalho por uma educação de qualidade para todos. Meu compromisso sempre foi pela construção do saber, da cidadania, dos valores universais, da competência profissional.
Portanto, não estou aqui defendendo acomodação nem paternalismo. Nós, profissionais sérios da educação, sabemos das nossas limitações e necessidade constante de formação e atualização. Sabemos que o estudante de hoje, pelo contexto social, não é o mesmo de 5 anos atrás. Algumas práticas docentes não cabem mais nas salas de aula.
Só que existe uma situação que nenhuma atualização, nenhum mestrado e doutorado têm conseguido ajudar a superar: a evasão e a violência escolar.
É muito cômodo acusar o professor pela situação. Como um sociólogo e um economista que não vivem o dia-a-dia profissional do professor da rede pública se consideram com gabarito para apontar sugestões de superação?
Fico e morro com minha tese: só sabemos o que vivemos.
Portanto, vai aqui minha proposta. Trabalhem, no mínimo 1 ano, numa escola de educação básica, situada numa área perigosa, comandada pelo tráfico, para apontarem o que precisa ser feito para acabar com a evasão e a violência escolar.
Como diz uma grande amiga educadora carioca: me poupem, que não estou podendo!
Antes da violência escolar, existe uma muito maior: o descaso político e social com quem gostaria de ensinar e com quem nem sabe se vale a pena aprender.
Como dizem meus alunos... "esses caras não têm moral" - quando seus filhos estudam fora do país ou em escolas particulares.
Fala sério! Realmente, pimenta no dos outros é refresco!

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